Mesmo promissora, área de TI ainda desperta pouco interesse das mulheres
22/12/2022 - 17:19

O setor de Tecnologia da Informação (TI) é um dos mais promissores do mundo. Ainda há falta de profissionais em diversos países, inclusive no Brasil. Dados da Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais, indicam que faltam no país 408 mil profissionais para atender as vagas atuais de TI e devem ser criadas 800 mil novas vagas até 2025. O interesse das mulheres nesse mercado vem crescendo e em 2021 houve um aumento de 22% nas candidaturas de emprego registradas pelo Banco Nacional de Emprego (BNE).

Apesar disso, a proporção de mulheres buscando curso superior na área ainda é pequena. As universidades do Estado do Paraná, por exemplo, oferecem diversos cursos na área de tecnologia da informação. As mulheres estão se adentrando bem lentamente nesse nicho profissional e 138 iniciaram em algum curso da área de TI, em 2022.

A proporção no comparativo com os homens é gigantesca, já que eles somam 765 estudantes nas mesmas turmas. Os cursos oferecidos são de Ciência da Computação, Engenharia de Produção de Software, Informática, Engenharia da Computação, Engenharia de Software e Computação; na Universidade Estadual de Londrina (UEL), de Ponta Grossa (UEPG), de Maringá (UEM), do Paraná (Unespar) e do Centro-Oeste (Unicentro).

O curso com a diferença mais brusca entre o público masculino e feminino foi o de Engenharia da Computação, na Universidade Estadual de Ponta Grossa, com 174 homens e 15 mulheres, contudo, a maioria dos cursos segue essa linha em todas as instituições. Uma das poucas exceções foi no curso de Computação, também na UEPG, com 53 homens e 40 mulheres.

O curioso é que o primeiro programa de computador foi criado por uma mulher, Augusta Ada King, mais conhecida como Ada Lovelace, em 1843. Conforme publicação da Unicamp, Ada se aproxima do cientista Charles Babbage, e fica a par de sua nova ideia, a Máquina Analítica, que prometia desenvolver uma variedade de operações complexas. Porém, enquanto Babbage pensava em números, Ada percebeu no equipamento potencial para processar também símbolos, incluindo notações musicais e artísticas. 

"Em um dos seminários que Charles participou em 1842 em Turim, Itália, onde expôs todos os seus resultados e cálculos sobre a nova máquina analítica, o engenheiro e matemático Luigi Menabrea, que estava presente, fez do seminário um artigo em francês para a comunidade científica da época e sua transcrição foi publicada em 1842 na Bibliothèque Universelle de Genève. Logo após a publicação, Ada recebe a tarefa dada por Babbage, de traduzir esse artigo para o inglês e adicionar suas próprias notas. Em 1843, Lovelace termina a tradução, e o resultado é um texto muito maior que o original, e que foi publicado no “The Ladies’ Diary”  e no Memorial Científico de Taylor sob as iniciais “AAL”.  As notas de Lovelace foram classificadas alfabeticamente de A a G, e em uma dessas notas em especial, a nota G, é conhecida como o primeiro programa (algoritmo) de computador do mundo. Era um algoritmo que computava os números de Bernoulli, e isso rendeu a ela o título de primeira programadora da história. Além do algoritmo, em suas notas Ada prevê que a invenção de Babbage não só poderia computar números, mas poderia também criar imagens", diz o texto da Unicamp.

Mas a referência e inspiração ainda não foram suficientes para despertar o interesse das mulheres. Segundo dados da Consultoria Global de Tecnologia Thoughtworks, publicados pela Mindtek – Inteligência e Tecnologia, entre novembro de 2018 e março de 2019, o mercado era 68% de homens, 31,7% de mulheres e 0,3% intersexo. Os homens têm, na maioria, entre 18 e 34 anos e a maioria das mulheres entre 35 e 44 anos.